Mulheres gostosas quase peladas (prólogo da série)

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Elas estão por toda parte, essas mulheres gostosas quase peladas. Nos quadrinhos fazendo poses improváveis, nos video-games, nos filmes, nos programas de TV. Não que elas tenham aparecido por agora, aliás, muito pelo contrário. Aí estão nossos livros de História cheios de figuras de artefatos de sociedades diversas pra mostrar que sempre houve esse interesse em retratar meninas (tá, meninos também) com pouca ou nenhuma roupa. Falando nisso, tem sociedades em que ninguém usa roupa, sem mencionar os nudistas… mas acho que tô perdendo o foco aqui.

Aí poderia vir a pergunta: “E qual é o problema? Mulher é um negócio bonito de olhar! Essas feministas querem acabar com toda a diversão do mundo!”

Pois é, não deveria ter problema nenhum. Mas você sabe que mulheres com pouca roupa são pessoas, né? E que quantidade de roupa não diz muita coisa sobre caráter ou moral de alguém. E que mulheres fora do padrão de beleza têm o direito de usar a pouca roupa que quiserem. E que “ser um negócio bonito de olhar” para os homens pode ser a última das preocupações de uma mulher ao se vestir. 

Sendo assim, seria razoável que as gostosas quase peladas fossem só uma parcela das personagens femininas das obras de ficção, mesmo em filmes de ação ou ficção científica. E que existissem outras, mulheres comuns dessas que se vê por aí, vestidas, com um corpo na média, que conversam umas com as outras, sobre algo que não seja homem. E que essas personagens fossem complexas, bem desenvolvidas, e mesmo quando gostosas quase peladas, que isso fizesse sentido na trama, e estivesse de acordo com a motivação delas na história. Não acha?

“Não, não, nada disso, eu quero é mulher com pouca roupa, e só as gostosas. Todas as outras eu vou chamar de barangas. E por que eu veria um filme com um monte de mulher falando de coisa de mulherzinha? Sou viado por acaso? Elas nunca dizem nada que preste. Eu quero é ver carne! E nada de bunda de homem, hein?”

Zeca Bordoada

O Zeca até deu uma cuspida no chão pra dizer que concorda com isso aê

Se você é um cara, talvez tenha ficado indignado com essa resposta hipotética. Porque você não é rudimentar desse jeito. Embora eu saiba que pessoas assim realmente existam, sempre fiquei curiosa pra saber qual a porcentagem da população masculina que elas de fato representam. A indústria do entretenimento deve achar que corresponde a boa parte dos homens, já que vive fazendo filmes que parecem atender certinho aos anseios desse perfil. É aquele dilema Tostines, esses filmes existem porque é o que o público gosta de assistir ou o público acaba assistindo porque é o que tem?

Se eu fosse homem, acharia bastante ofensivo que andassem pensando que eu não tenho condições de acompanhar uma história em que mulheres são personagens de verdade, e não enfeites. Ou que eu sou tão idiota que preciso ser distraído com fanservice o tempo todo. Como se eu nunca tivesse visto mulher na vida. Eu tenho mãe, irmãs, amigas, colegas de trabalho, namorada, esposa, inimigas, peguetes, não tenho? E não converso decentemente com todas elas?

Hello Nurse-Animaniacs

Olha, uma mulher gostosa, mulher gostosa

Por outro lado, é verdade que a quantidade de homens gostosos quase pelados tem aumentado em filmes e outras mídias. Eles não existem ainda na mesma quantidade que as moças, mas têm marcado presença principalmente em filmes destinados ao público feminino. Até parece justo que seja assim, mas eu ainda acho que não resolve o problema.

Por exemplo, eu acho que Lua Nova é um filme bem mais assistível que seus companheiros da saga Crepúsculo pela quantidade de cenas em que o Taylor Lautner aparece sem camisa. Mas ainda assim, é muito pouco a oferecer pra que a gente possa engolir uma história tão xarope e personagens tão rasos e chatinhos. 

Desculpa moço, você é bem bonitinho e tal, mas aguentar Crepúsculo ainda que por sua causa é dose.

Desculpa moço, você é bem bonitinho e tal, mas aguentar Crepúsculo ainda que por sua causa é dose.

Talvez uma boa mistura acabe sendo a série True Blood : tem bastante gente pelada, homens e mulheres, mas a história é bacana (ao menos nas primeiras temporadas). E tanta pouca vergonha combina com o clima que eles querem passar.

Enfim, falei, falei, mas não disse a que veio esse texto. Nos próximos posts eu vou começar uma série sobre algumas moças que se tornaram especialmente famosas pelos figurinos mínimos ou extremamente reveladores que usaram em seus filmes. Aí eu vou falar um pouquinho sobre o contexto, personagens, história, e o que essa falta de roupa representou pra trama.

A primeira vai ser Barbarella, personagem do filme de mesmo nome que foi lançado em 1968 e acabou revelando a Jane Fonda ao mundo. Até lá.

Barbarella

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Um comentário sobre “Mulheres gostosas quase peladas (prólogo da série)

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